“6 Years ” de pessoas intrometidas

25 de março de 2016

 

Enquanto Mia (Taissa Farmiga, American Horror Story) cursa o penúltimo ano na faculdade, Dan ( Ben Rosenfield, Greetings From Tim Buckley) faz estágio em uma gravadora. Os dois estão juntos a 6 anos e conforme vão se tornando adultos e aprendem a lidar com suas emoções o relacionamento deles começa a se degenerar e se tornar algo abusivo e doentio. Mia se torna um tanto agressiva enquanto que Dan se torna cada dia mais impulsivo.

 

Existem muitos pontos de vista ao observar esta história, você pode acreditar que a Mia é o grande problema , você pode pensar que o Dan é o grande babaca, você pode imaginar que um relacionamento de 6 anos é muito tempo para um casal que se formou aos 20 anos  e  que como a maioria dos relacionamentos hoje em dia, ele simplesmente se desgastou. Mas se por um instante, minimo que seja, deixar de notar a Mia e o Dan, e começar a prestar atenção nos outros personagens, sejam eles os amigos, os colegas de trabalho, ou até mesmo os chefes e os pais, você verá que eles são o problema.

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Mia e Dan serem o casal “perfeito” cria grandes expectativas que eles descarregam entre si, estar junto a tanto tempo criam duvidas nas pessoas de fora, que ao questionarem os protagonistas, criam inseguranças e questionamentos infundados.

” O sexo não fica entediante?”

” Você nunca pensou em ficar com alguém alem da/do Mia/Ben ?”

” 6 anos juntos não é muito tempo para alguém tão jovem?”

 Estes são apenas alguns dos questionamentos mencionados no filme, que é basicamente uma reflexão não só sobre o poder da opinião alheia no individuo, relacionamento ou sociedade, como também o que acontece quando abandonamos os pensamentos utópicos da adolescência e caímos de cara no mundo real.

Mesmo aqueles que não são fãs de drama conseguem achar no plano de fundo deste longa uma razão para continuar assistindo, seja essa pelo tema tratado , seja por mais uma brilhante atuação de Taissa Farmiga ( que superou aquela de Mindscape) em sintonia perfeita com Ben Rosenfield. Ou mesmo pela produção, roteiro , direção de Hannah Fidell, até mesmo o que é contado pelo movimento da câmera. Com toda esta construção é impossível não se sentir um intruso espiando o desenrolar desta história. É como um recorte de uma vida ou olhar sem ser convidado para o relacionamento decadente do seu vizinho por uma janela que deveria estar fechada.

 

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