Entrevista com Danilo Barbosa

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Entre os escritores nacionais que pude conhecer, Danilo é um dos mais simpáticos, posso garantir que o carisma dele logo te conquista, ele conversa com entusiasmo e rapidamente deixa você com uma enorme vontade de conhecer as obras deles.
Se ainda não o conhece, te aconselho a ler a entrevista e ir correndo apreciar o livro Arma de Vingança – seu livro de estreia que relata a historia de Ana, uma garota carente e que facilmente se apaixona. Não posso dizer mais nada, vocês precisam ler esse magnifico livro sobre vingança. E não se esqueça dos contos, crônica e também A Princesa da Lapa.

danilo

Quem é o Danilo Barbosa? Como é o seu dia a dia?

O Danilo é um cara tranquilo, brincalhão e que está sempre disposto a ajudar os outros. Crítico demais com o que escreve, e sempre tenta dar o máximo naquilo que está fazendo. Alguém que vive imerso no mundo dos livros, e não se vê em outro lugar.

Quando decidiu ser autor?

Acho que não decidi ser autor, a coisa simplesmente surgiu. Li muito desde criança. Minha imersão no mundo dos livros foi quando entrei pela primeira vez na biblioteca, tinha uns 6, 7 anos, para fugir da solidão que o bullying me causava… E nunca mais saí. Então, é o que nunca me canso de dizer, sempre penso que as histórias que foram me alimentando, se misturaram e transbordaram, dando origem aos meus primeiros textos.

Quem predomina na sua vida, Danilo autor ou Danilo leitor? A forma de ver o universo da literatura é diferente para cada um?

O autor, sem dúvida. Sou mais desapegado com o lado leitor. Leio quando surgem as brechas, os tempos de lazer. E quando a história não me agrada, me desapego mesmo, sem dó… No lado escritor, eu me cobro mais… Ele rola de forma mais devagar, mas é muito mais intensa… Tanto quanto estou escrevendo as minhas próprias obras, ou quando estou fazendo copidesque da obra de outro escritor. Porque nestes casos, a atenção e dedicação devem ser as mesmas.

Dan, sabemos que seu primeiro livro publicado foi Arma de Vingança, mas qual foi o primeiro que você se arriscou a escrever? E qual foi sua inspiração?

Por incrível que pareça, Arma de Vingança foi o primeiro livro que eu escrevi. Não teve nenhum antes: Ana foi o meu primeiro amor. Escrevi o rascunho original do Arma quando tinha 16, 17 anos. E o coitado ficou mais de 15 anos em uma gaveta. Deixei ele lá, maturando como um bom vinho. Mexia nele de vez em quando, mas me dediquei a estudar, procurar emprego, ser leitor, me estabelecer, entende? Só depois que me tornei blogueiro e comecei a atuar no mercado editorial, vi que o livro tinha potencial… E o libertei – e me libertei – das amarras do medo de me mostrar.

Foi difícil publicar o livro? Quais foram as suas maiores dificuldades? Que dicas você dá para quem tem o sonho de publicar um livro?

Foi bem complicado, mas prazeroso. Para chegar no lugar em que estou foram quase 5 anos de labuta, divulgação e vontade de mandar tudo para o alto. Foi publicar o livro duas vezes independente, e correr, de pessoa a pessoa, oferecendo à sua obra. Da primeira vez, a Amazon ainda não era essa força com o KDP, o que dificultou bastante, mas na segunda – em 2014 – o retorno do público veio mais rápido. Ser convidado pela Universo dos Livros foi o resultado de muito esforço, muitas lágrimas no cantinho do quarto e investimentos que muitas vezes não voltam – financeiramente falando, é claro. Mas as sensações, conquistas e aprendizados que temos pelo caminho são inigualáveis. Uma dica para quem tem o sonho de ter seu livro publicado? Transforme-o em ação! Trace metas, dedique-se, saiba que vai ter de deixar muita coisa de lado, seja humilde e paciente, sempre. Seu texto nunca será o melhor do mundo, nem todo mundo irá amar o seu livro e, não importe de que forma publique, trate o seu texto com todo o cuidado do mundo. Leia, releia, revise… Dê o seu melhor. É por ele que você será lembrado.

Como você definiria o mercado literário nacional?

Ainda em construção. Temos muitas arestas para aparar, tanto no ponto de vista dos leitores, quando dos autores e editoras. Ainda somos um país novo, e com um hábito crescente de leitura. Por isso, espero que isso se aprimore com os anos. Acho que temos de inserir mais em nossa cultura a literatura brasileira, principalmente aos jovens. Temos de mostrar à eles que os livros nacionais não são apenas os clássicos, que na idade deles muitas vezes se torna algo maçante. É interessante explorar que temos excelentes textos, tal qual os estrangeiros, mas como uma abordagem que eles podem se reconhecer, algo integrado em suas rotinas. Quanto às editoras, espero que em momentos de crise, invistam mais em nacionais, já que os custos são menores. Talvez fidelizar os leitores aos autores, criar best-sellers em vez de só pegar os que vem de lá de fora. É muito mais vantajoso, pois não tem custos de tradução, os adiantamentos onerosos de uma obra internacional e o autor está à sua disposição, muito mais propenso a fazer eventos que o pessoal de lá de fora, que vem ao Brasil uma, duas vezes ao ano.

Fale um pouco da sua escrita, quais autores te inspiram e suas motivações para criar.

Minha escrita é de intensidade. Sai de mim como a força de uma cascata, mas em um fluxo lento, tem horas que parece que vou explodir. Prefiro escrever uma linha o dia todo, desde que fique de uma maneira que eu pense, assim está bom. Sou o meu leitor mais chato (risos). Eu sou inspirado por vários autores, nacionais e internacionais, mas meu grande exemplo é Stephen King, que navega pelos mais diversos gêneros, e chama a atenção de seu público… Isso não quer dizer que goste de todos os livros dele, é claro. Meus motivos para criar? Possessão literária serve?
Os insights podem surgir nas mais diferentes formas. Minha imaginação me engana: cria o personagem sem que eu perceba e quando eu menos espera, lá está ele gritando na minha orelha, querendo que eu dê vida à sua história. Aí, quando chego nesse ponto, complicou!

O que você espera que seus leitores sintam quando leem seus livros?

Depende da história. O Arma eu queria que eles vissem que não precisamos de monstros imaginários para vivenciarmos os nossos lados mais sombrios. Com a Princesa, quero que eles repensem sobre o amor. Nos contos, são as mais variadas emoções, do desejo às lágrimas. O que eu mais espero é que os meus textos mexa com algo dentro deles, entende? Que deixe marcas.

Qual livro te “sugou” mais, Arma de Vingança ou A Princesa da Lapa? Por quê?

A Princesa sem dúvida. Arma veio como um grito, jogado, expulso de mim. O outro não, mexeu mais com o meu lado sentimental e poeta, expôs muito mais os meus sentimentos. Por isso levou tanto tempo – um ano e meio – para ficar pronto. É uma história completamente diferente, apesar de você reconhecer o Danilo ali… É um romance que se transcorre como se fosse um conto de fadas, mesclando o real e o fantástico, que me tirou o ar várias vezes. Eu chorei, sorri, me emocionei, me senti verdadeiramente como um escritor, entende? Terminei ele e fiquei exaurido. Tanto que demorei um ano para voltar a escrever um novo livro.

Pode falar dos seus planos na literatura?

Escrever. Vou tentar manter a meta de colocar um Conto Secreto por mês na Amazon, como prometido. Este ano, além a Princesa da Lapa, farei parte também da antologia Tardes Sensuais, de contos eróticos, publicado pela Universo dos Livros, junto de nomes como Mila Wander e Nana Pavoulih, e para ano que vem estou trabalhando em Três Formas de Amor, um livro divertido e cheio de malícia, baseado no meu conto que virou best-seller na internet.

Qual conto você indicaria para nossos leitores ler de imediato?

Depende. Se quer algo fofinho, para descontrair, leio A voz. Se quiser refletir, leia Um toque de solidão. Agora se quiser que o clima entre em ebulição, leia todos os Contos Secretos, oras (risos). E se depois de tudo isso, quiserem mais, leiam No coração da noite, com as luzes apagadas (se tiver coragem).

Conheça mais do autor visitando o perfil https://www.facebook.com/danilobarbosaautor/ e o site Danilo Barbosa

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