“O Quarto de Jack” e a leveza do mundo cruel de um menino de 5 anos

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Se você viveu os últimos meses em um universo paralelo e não sabe de qual filme eu estou falando, aceite um conselho: PARE DE LER ESSE TEXTO. Confie em mim quando eu digo que o filme vale quase cada segundo e vá assisti-lo antes. Aproveite a oportunidade de descobrir o nosso mundo pelos olhos de Jack e depois volte aqui.

( É aqui onde você deveria para de ler) 

O pequeno Jack  (Jacob Tremblay) , acredita que o mundo se resume ao quarto em que vive com sua Ma. Lá existe a Cama, o Abajur, a Planta, e a Televisão. Existe também o mundo da Televisão, onde as pessoas são achatadas e finas como papel,não são reais como ele e a Ma ( Brie Larson ) são. E existe também o velho Nick (Sean Bridgers, Lugares Escuros ).  Jack não sabe se ele é real, mas sabe que ele vem visitar sua mãe durante a noite, enquanto ele dorme dentro do armário, mas as vezes ele não está dormindo e vê coisas que não entende.

No entanto, quando o pequenino  completa seus 5 anos de idade e sua curiosidade cresce cada vez mais, e Ma, sua mãe decide que é hora de Jack saber a verdade. O Quarto de Jack não é o único lugar do mundo, as pessoas da televisão são reais,  o velho Nick é real, e ela, a Ma, foi sequestrada e é mantida em cativeiro há 7 anos. Juntos, então, eles bolam um plano de fuga que vai leva-los para o lugar mais assustador de todos: O mundo real.

 

O drama, que rendeu a Brie Larson o Oscar de melhor atriz, foi adaptado pela própria escritora do livro que se chama “Quarto”, a irlandesa Emma Donnoghue e  dirigido por Lenny Abrahamson. Mas não dá para negar que quem realmente brilhou foi ninguém menos que o pequeno Jacob Tremblay, que captou de todas as maneiras possíveis a inocência e sutileza de seu personagem, Jack.

Quarto

O filme, que pode ser descrito sem rodeios como um tanto perturbador, ganha uma leveza especial por ser narrado por um garoto de 5 anos. Ao contrário de sua mãe, Jack gosta do Quarto, pois este é o único mundo que ele conhece, ele se afeiçoou a cada pedacinho daquele lugar e é feliz ali. É essa a inocência que choca quem assiste, pois ele realmente não tem noção alguma da monstruosidade do que está acontecendo ao seu redor, cabe a quem assiste ver o quão terrível é a situação, pois de primeira, o pobre garotinho não tem  a mínima ideia.

O espectador volta a ser perturbado quando Jack e sua Ma finalmente saem do cativeiro, o mundo real também não é um mar de rosas. E o menino, que não conhece nada deste mundo inteiramente novo não lida bem com a nova situação.

No entanto, é notável a perda que o filme sofre depois que os dois personagens saem do cativeiro. A vida no mundo real acaba por ser bastante mal explorada. Os personagens perdem seu quê de intensidade, talvez? Ouso dizer que não me sentiria culpada se tivesse parado o filme por ali. Em uma determinada cena, quando Jack toca no assunto do Quarto,  tive esperanças que essa segunda metade do filme fosse ser resgatada, com a avó explorando sutilmente as reais feridas deixadas pela situação, que acabam passando em branco. Mas não, o momento se esvai ser reconhecido.

Toda via, o filme não perde seu charme chocante, é uma história pesada, com o poder de mexer com o espectador. Você certamente não vai terminar o filme sem ter tido que segurar as lágrimas, e é isso o que vale nos créditos finais.

P.S.: Essa é certamente uma daquelas poucas e boas adaptações de um livro.

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