Radiohead vai do blues ao psicodélico com o digno ‘A moon shaped pool’

14 de maio de 2016

A primeira música tem “cara de festival”. A segunda é “uma canção longa, tipo chata”. A oitava “lembra Kung Fu Panda”. A nona é uma “música legal”. A décima primeira “pode fazer as pessoas chorarem”. Avaliação final: nota 7.

Esta “crítica” do novo disco do Radiohead, “A moon shaped pool”, foi escrita por um sucinto garotinho de oito anos.

Mas diz aí: o minicrítico tem razão? Apesar de rigoroso, ele tem, sim. O trabalho é OK. Bonito, belos momentos. Mas o Radiohead já foi melhor (no excelente “The bends”, de 1995, e no celebrado “OK Computer”, de 1997) e já chutou o balde na ousadia (no eletrônico “Kid A”, de 2000). Só que já foi pior (no dispensável “Amnesiac”, de 2001).

Em “A moon shaped pool”, a banda abandona a rebeldia sem causa e a obsessão pela eletrônica como – suspiro… – experimentação. O quinteto acredita em guitarra, violão, piano e percussão. E, sobretudo, nos arranjos e na pretensão do guitarrista Jonny Greenwood. Muito bem, Radiohead. Rola até (quase) bossa nova, folk, psicodelismo, blues (de leve). Eis o lado bom do grupo que carrega o status/clichê de “o Pink Floyd de sua geração”.

O lado ruim é que o Radiohead se ocupa mais da própria reputação – e do próprio mistério – que da própria música. “A moon shaped pool” é inédito naquelas. Das 11 músicas, cinco circulam em versões prévias. Caso de “True love waits”, tocada em shows desde 1995.

“De onde menos se espera, é daí é que não sai nada mesmo”, diz a frase atribuída ao Barão de Itararé. Com o Radiohead é o contrário. Avaliar sem levar isso em conta é subestimar. Se “A moon shaped pool” – nono CD de estúdio e primeiro desde “The king of limbs” (2011) – for o último disco, então terá sido um testamento digno. Não o auge.

 

Fonte: Radiohead vai do blues ao psicodélico com o digno ‘A moon shaped pool’