RESENHA – A Garota No Trem – Paula Hawkins

14 de dezembro de 2016

Olá, amores. Tudo bem com vocês?

Há alguns meses, vi o trailer do filme a Garota no Trem e pensei “uau”. Fiquei tão intrigada que acabei comprando o livro, mas estava assoberbada com algumas coisas da faculdade, deixei ele abandonado lá na estante.

Com o término das provas da faculdade, catei o livro na estante e resolvi lê-lo. Estava afoita, queria ler tudo de uma única vez, imaginei que conseguiria ler tudo em duas ou no máximo três noites. Ledo engano.

Já no inicio das primeiras páginas, temos o seguinte texto que me deixou no modo “Van Curiosa:

Ela está enterrada sob uma bétula, perto da velha ferrovia, seu túmulo marcado com pedras. Não mais que um montinho de pedras, pois eu não queria atrair atenção para seu lugar de descanso, mas também não podia deixá-la sem nenhum tipo de memorial. Ali ela vai dormir em paz, sem ninguém para perturbá-la, sem nenhum som além do canto dos pássaros e do ruído dos trens que passam.

Logo veio outro texto, fazendo o modo “Van Curiosa” evoluir para  “Eita, que esse livro vai ser dos bons

Uma para tristeza, duas para alegria, três para menina. Três para menina. Fico empacada nas três. Não consigo passar disso. Minha cabeça está repleta de sons, minha boca, repleta de sangue. Três para menina. Posso ouvir as aves, as pegas-rabudas — estão rindo, debochando de mim, um crocitar estridente. Um bando. Mau agouro. Posso vê-las agora, negras contra o sol. Não as aves, outra coisa. Alguém está vindo. Alguém está falando comigo. Veja só. Veja só o que você me obrigou a fazer.

Já a historia em si, começa com Rachel descrevendo o cenário que ela observa de dentro do trem das 8:04, de Ashbury para Londres,  percurso de ida e volta do seu trabalho fictício, já que ela fora demitida e  ainda não teve coragem de contar para a amiga, com quem divide o apartamento, por isso, todo dia ela finge que vai trabalhar. Dentre os cenários, temos o de sua antiga casa, onde ela vivia com Tom, seu ex-marido. Ele ainda reside na casa com sua atual esposa, Anna e sua filhinha.

Na mesma rua, tem a casa nº 15, onde mora um lindo casal. Rachel os idealiza como um casal perfeito, ela dá um nome fictício para os dois, chamando-os de  Jess e Jason, criando toda uma história de como é a rotina dos dois e que profissão devem ter.

Rachel ainda é apaixonada por Tom, ela não se conforma com o fim do relacionamento, nem tampouco com o fato dele ter traído ela com Anna. A traição faz dela uma pessoa solitária, deprimida e fechada no seu mundo sombrio, regado por bebidas alcoólicas.

A narrativa do livro é sempre em primeira pessoa, intercalando passado e presente. Não é contada apenas por Rachel, mas por Anna e Megan, que logo descobrimos ser a mulher de “vida perfeita” idealizada por Rachel.

Anna narra a maneira como Rachel interfere no seu relacionamento com Tom. Enquanto a narrativa de Megan, é exclusivamente mostrar como seu relacionamento “perfeito” não a faz feliz, fazendo com que ela busque outras fontes de diversão. Diversões que são o ponto chave da história.

Um acontecimento presenciado por Rachel, muda toda a rotina dos envolvidos na história. Certa manha, ela acorda com um machucado na cabeça, uma mensagem estranha enviada por Tom, sem memória da noite anterior e com a notícia do estranho desaparecimento de Megan.

É aí que o bicho pega, Rachel fica obcecada em provar quem é o responsável pelo desaparecimento de Megan, e  por consequência, acaba se metendo em várias furadas, ocasionando grandes problemas e investigações policiais.

Bem, sabe quando você bebe muito e no outro dia está com ressaca. E, depois sente náuseas só de pensar em qualquer tipo de bebida alcoólica? Pois é, esse livro me deixava com essa sensação. Demorei quase 10 dias para consegui terminar a leitura, só conseguia ler algumas páginas por dia. Veja bem, Rachel é alcoólatra e a cada uma ou duas páginas, lá estava ela bebendo e depois sofrendo com os efeitos do álcool.

Eu sofria junto com a Rachel, conseguia ter náuseas e dores de cabeça, exatamente como ela descrevia. Foi a coisa mais bizarra que me aconteceu durante uma leitura. Consegui sentir exatamente o que a personagem estava sentindo. Não sei se isso só aconteceu comigo ou se mexeu com os sentimentos de outros leitores também.

O final do livro foi surpreendente. Eu tinha minhas desconfianças sobre o que havia acontecido com a Megan, mas o desfecho do último ato, foi sem sombra de dúvidas, um dos melhores que já li.

Beijos doces e até a próxima 😘