Resenha: A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo

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Autor: Joaquim Manuel de Macedo

Sinopse:Como se manter fiel ao juramento de amor feito no passado, diante de uma nova e ardorosa paixão? É o que se pergunta Augusto ao conhecer Carolina, a Moreninha.Uma resposta surpreendente será dada ao personagem nas páginas deste agradável livro de Joaquim Manuel de Macedo. Publicado em 1844, este é o primeiro romance da nossa literatura.
Esta divertida história de amor retrata com perspicácia a sociedade do Rio de Janeiro do Segundo Reinado.

Ei, leitores lindos.

Ultimamente eu to inspirada no clássicos, devido a isso escolhi A Moreninha para resenhar aqui.

Para quem não sabe, eu tive uma queda por livros clássicos desde a minha infância. Não sei explicar o porquê, e talvez seja por isso que a linguagem rebuscada nunca foi um empecilho.

Antes de entrar no livro em si, acho interessante ressaltar que a obra em comento é importantíssima para a literatura brasileira em geral, já que é considerada a obra que inaugurou o romantismo no país.

O enredo trás a história de quatro rapazes: Filipe, Augusto, Leopoldo e Fabrício. Filipe chama seus amigos para passarem o feriado de Sant’Ana na casa de sua avó, na Ilha de Paquetá. Augusto inicialmente mostra embaraços à sua ida, mas depois de ser convencido por seus amigos acaba travando uma aposta com Filipe. O ajuste dizia que se o primeiro se apaixonasse na ilha e assim permanecesse por mais de 15 dias, escreveria um romance constando a história da paixão.

No dia 20 de julho de 18… na sala parlamentar da casa n… da “rua de… sendo testemunhas os estudantes Fabrício e Leopoldo, acordaram Filipe e Augusto, também estudantes, que, se até o dia “20 de agosto do corrente ano, o segundo acordante tiver amado a uma “só mulher durante quinze dias ou mais, será obrigado a escrever “um romance em que tal acontecimento confesse; e, no caso contrário, igual “pena sofrerá o primeiro acordante. Sala parlamentar, 20 de julho… de “18… Salva a redação.

Como testemunhas: Fabrício e Leopoldo

Acordantes: Filipe e Augusto.

Bem, assim eles vão. Mas antes de irem Fabrício envia uma carta a Augusto pedindo pelo amor de Deus por sua ajuda. O motivo é que Fabrício nunca havia se apaixonado, e depois de ouvir o segundo dizendo que deveria fazê-lo resolveu procurar uma garota para se apaixonar, descobrindo na prática que era problema demais.

Gente, já começa por aí. A carta é muto engraçada, e me fez descobrir que a safadeza está entre nós desde aquelas épocas em que as roupas cobriam do pescoço até os pés.

Fabrício é uma comédia dizendo que namorada é tão essencial ao estudante como o chapéu com que se cobre o livro que estuda; ou que não namoraria uma garota rica, para não precisar gastar dinheiro; e agoooora vem a safadeza, já que ele fala por algumas vezes que gostava mesmo era de beijar as mina escondido.

Segundo. porque eu sempre acho muito mais apreciável sorver os beijos voluptuosos por entre os postigos de uma janela, do que sorvê-los em sonhos e acordar com água na boca. Beijos por beijos antes os reais do que os sonhados.

“Além disso no teu sistema nunca se fala em empadas, doces e petiscos, etc.; no meu eles aparecem e tu, apesar de romântico, nunca viraste as costas nem fizeste má cara a esses despojos de minhas batalhas.

Aí eu vejo que Fabrício sou claramente eu na vida. Ele enganava as menininhas, pulando de galho em galho, porque ganhava comida. Querido, você já tem meu coração eternamente! E ainda deu uma tirada no Augusto que criticava ele mas comia das empadas que ele ganhava. #teamfabricio

Não se engane pensando que a falta de vergonha na cara era só masculina.

Em um episódio Augusto tem de se esconder em baixo da cama do quarto das mulheres e entreouve a conversa das jovens. Cada uma delas engana pelo menos um namorado por vez, e uma chega a dizer que se corresponde com cinco caras de uma vez.

Depois disso eles vão para a ilha. Lá conhecem algumas garotas, dentre elas a irmã de Augusto: Carolina, a Moreninha. Ela se destaca das demais garotas por ser muito vívida e maliciosa, sempre respondendo às provocações e cantadas no mesmo tom.

Todos se apaixonam por ela, porém é mais notável como os sentimentos de Augusto vão se desenvolvendo pela garota.

Na contramão vem alguns fatos: primeiro que ele é tratado como o vagabundo do grupo, pois após rejeitar ajuda à Filipe, é atacado por este que diz à todos que Augusto se apaixona todos os dias por todas as mulheres que encontra; segundo que ele conta à avó de Filipe uma pequena história de amor que aconteceu em sua infância e vem o perseguindo como um fantasma desde então.

Eu estou totalmente encantada por esse livro! Mesmo já tendo lido a obra não me lembrava de mais nada, e por algum motivo minha cabecinha não imaginava a possibilidade de dar risadas à conta de um clássico.

O enredo se desenvolve inicialmente com tons de comédia, como na cena que já citei de Augusto escondido de baixo da cama. Falando nisso, para tudo que ele viu uma perna! Aliás, ele viu do pé ao joelho de D. Clementina e quase teve infarto.

ele vê a um palmo dos seus olhos a perna mais bem torneada que é possível imaginar!… através da finíssima meia aprecia uma mistura de cor de leite com a cor-de-rosa e, rematando este interessante painel róseo (…)  não foram beijos o que desejou o estudante outorgar àquele precioso objeto; veio-lhe ao pensamento o prazer que sentiria dando-lhe uma dentada…

 

À partir do momento em que os sentimentos de Augusto e Carolina se tornam mais visíveis o foco passar a ser neles. E gente, que ternura. Me senti uma adolescente através dos relatos dos pombinhos se apaixonando.

Sabe aquela coisa bem piegas, meio brega até, então é isso! Mas colocado de uma maneira tão linda que não dá para se cansar.

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que A Moreninha só tem quatorze anos e ainda brinca de bonecas! rs E ainda me diziam que casei nova aos 21.

Espero que deem uma chance a esse livro. Clássicos por serem clássicos tendem a assustar as pessoas, mas não precisam ter medo. É só ficar com o celular no dicionário do ladinho que dá tudo certo. ; )

Então, até a próxima, meus lovelies <3

Beijinhos =*

Lista de comentário

  • Literachá 27 / 04 / 2017 Reply

    Hahaha essa resenha me deixou tão nostálgica ☺
    Lembrei-me do teatro que fiz há uns 9 anos, meu papel era de avó do Felipe kkkkk eu tinha que usar um sotaque mais “caipirês” para me enquadrar no papel de velha.

    Eu não me lembrava da história toda, mas a resenha me fez lembrar de tudo e de como eu fiquei apaixonadinha pelo Augusto, foi meu primeiro Crush Literário 😍😍.

    • Binha Cibelle 27 / 04 / 2017 Reply

      Sério que você era a D. Ana? kkkkkkkkkkkk
      Menina, ele acabou de retornar ao meu quadro de crushes haha
      Adoro
      =*

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