Resenha: Eu, Christiane F. 13 anos, Drogada e Prostituída

18 de setembro de 2017

“Um pouco antes de dormir disse a mim mesma:
-Christiane, estas coisas não são pra você. Você está no mau caminho…”

Um livro polêmico e devastador, uma história que envolve qualquer ser que tenha um coração sensato… e uma adolescente que, através do relato de sua juventude mostrou muita coisa sobre a vida de quem é escravo das drogas.

Essa adolescente é Christiane Vera Felscherinow, que através do livro que levou como título seu nome e um spoiler da sua história, contou tudo sobre uma vida no mundo das drogas e da prostituição, que começou em 1974, aos 12 anos de idade.

Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, o título real do livro (que também virou filme), no Brasil foi adaptado para Eu, Christiane F. 13 anos drogada e prostituída.

A história é baseada em depoimentos de Chris, onde ela conta que 6 anos após se mudar para Berlim Ocidental, com seus pais e irmã, em um bairro chamado  Groppiusstadt, ela se envolve com um grupo de jovens e começa a fumar haxixe e consumir medicamentos como Mandrix, Valium… além de LSD. Um pouco mais tarde, Chris conhece Detlev, (seu futuro namorado) e outros amigos, que junto com ela partem para o mundo de drogas mais pesadas.

Foi aos 13 anos que ela experimentou pela primeira vez a heroína, uma droga “nova” que estava circulando os bairros de Berlim, e a partir daí ela se afundou profundamente, a ponto de começar a se prostituir para conseguir sustentar o vicio, que se tornou essencial pelo menos três vezes ao dia.

(O período de prostituição durou cerca de 1 ano, e só parou porque ela foi presa por causa do tráfico de drogas)

Foi durante o julgamento de Christiane no tribunal de infância e juventude que dois jornalistas se interessaram por sua história. Kai Hermann e Horst Hieck, pegaram o depoimento da jovem e fizeram a base para esse livro que acabou por contar uma das histórias mais famosas da época, sendo sucesso mundial lançado em vários países.

Entretanto, depois desse período em que todos acharam que ela tinha superado o vício, houve novos relatos de que Christiane ainda estava traficando. Fato que foi confirmado alguns anos depois, quando ela foi presa novamente na casa de um traficante em Berlim.

Enfim, se você pesquisar na internet vai ver várias matérias sobre a vida dela, inclusive algumas de sua própria autoria. A maioria dos seus amigos morreram, vítimas da heroína; ela sobreviveu, mas nunca conseguiu abandonar o vício, aos 45 anos ela ainda fazia uso de medicamentos e fazia tratamentos, mas nunca houve muito sucesso. Voltou a usar drogas por pesadas por um período, e em 2014, aos 54 anos, ela escreveu um novo livro: Eu, Christiane F.: A vida apesar de tudo, que em breve também resenharei aqui para vocês.

No final dessa resenha deixo uma parte que para mim foi muito interessante no livro, é uma frase que a mãe de Christiane diz, e ao ler o livro você vai reparar que parte dos problemas da adolescência dela foram causados, claro que, primeiramente porque ela escolheu assim, mas também porque seus pais não lhe deram atenção necessária. É óbvio que não vamos discuti-lo, mas deixo como aviso para todos os pais que vão ler essa resenha, pois muitas das vezes os trabalhos e afazeres do dia a dia fazem com que famílias sejam destruídas por não terem atenção necessária.

“Não há dúvida de que quando trabalhamos, não podemos dar a atenção necessária ao que fazem nossos filhos. Temos vontade de viver em paz e contentamos em vê-los seguirem seu próprio caminho.”

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