Resenha: Feia – A Triste e Poderosa História de Uma das Primeiras Juízas Negras do Reino Unido

11 de outubro de 2016

Editora: Bertrand Brasil

Livro: Feia

Autora: Constance Briscoe

 

Hi, lovelies.

Voltei de novo com mais uma resenha bombástica. E prepare-se porque essa vai ser forte!

Imagine você começar um dia assim, ó:

“Ela me dava comida quieta e eu acabei pegando de novo no sono. Acordei com uma ardência entre as pernas. Crostas haviam se formado e se emaranhado em meus pelos pubianos. A urina queimava minha baratinha e o alto das minhas pernas e minha bunda estavam assados. Ninguém me arrancou da cama pela baratinha. Ninguém torceu os meus mamilos ou me socou na barriga. A minha irmã simplesmente reapareceu com roupa de cama nova e uma camisola limpa”.

Seja bem-vindo a um dia normal na vida de Clare, ou como ela realmente se chama, Constance Briscoe, um nome que ela só descobriu que tinha aos 18 anos. Sim, é isso mesmo. Nem mesmo a monstra de sua mãe sabia seu nome.

Eu não sou uma leitora que é fã de biografias, e acho que aqui em casa só tenho Feia e O Diário de Anne Frank do gênero. Foi no meu ensino médio, após muita resistência da minha cunhada, que à propósito foi             quem me pediu e lembrou de fazer a resenha desse livro (brigadim, Samis <3), que o li. E, meu Deus, que soco no estômago.

Constance teve um inferno de infância e adolescência que eu sofri pra ler, viu. Ela sofreu todo tipo de abuso que se possa imaginar na fase da vida que mais precisava de cuidado. E pior de tudo, por parte de sua mãe. Não posso dizer que eu seja uma pessoa propensa à surpresas ou suspense em livros. Eu sofro muito lendo algo triste, e esse livro foi fonte de sofrimento constante.

Nascida e criada no subúrbio de Londres, a escritora vivia juntamente com algo em torno de 9 a 10 irmãos e meio-irmãos. Sua mãe, Carmen, veio da Jamaica para o Reino Unido e por algum tempo viveu com seu pai, George, que os abandonou após ganhar duas vezes na loteria.

O livro já começa com a autora suplicando ao serviço social para que a deixassem morar em algum abrigo para crianças. Isso aos 11 (onze) anos. Dá pra imaginar que tipo de desespero levou uma criança dessa idade a tomar uma medida tão extrema? Logo após ouvir uma resposta negativa da assistente social, Clare, como era chamada na época, chega em casa e toma alvejante numa tentativa de suicídio.

O que essa menina passou na vida não é pra qualquer um. Na verdade não deveria ser para ninguém! Se você pensa que sua mãe é ruim por pegar muito no seu pé, meu bem, você não sabe a paz que tem na vida. A mão de Constance é um monstro, na falta de designativo pior.

Feia dá nome ao livro porque era como a mãe da autora a chamava a maior parte do tempo.

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Vou listar aqui alguns dos absurdos que ela narra.

– Era acordada todos os dias aos socos e beliscões nos seios e região genital desferidos por sua mãe, além dos xingamentos;

– Em decorrência das agressões, aos 12 anos desenvolveu um tumor na mama;

– Quase sofreu abuso sexual por um vizinho quando tinha algo em torno de 6 a 7 anos de idade;

– Perdeu todo o cabelo em decorrência do stress na adolescência;

Tá bom assim ou posso continuar? Vou deixar o restante para descobrirem lendo o livro. E antes que me batam, não é spoiler. Essas informações são encontradas já na orelha do livro.

Em que pese ter vivido uma infância horrorosa, ela se decidiu que um dia sairia daquela vida. Em uma visita escolar ao tribunal, Constance agora com 13 anos manifesta o desejo de se tornar advogada, ao que é veementemente repreendida por sua professora. Ali mesmo ela conhece o advogado Mike Mansfield e conta de seu sonho, ao que ele lhe entrega o cartão de sua firma e diz para ela procurá-lo quando se formasse em Direito.

Com muito esforço próprio e sem nenhuma ajuda, ela consegue entrar na faculdade e anos depois se tornar uma das primeiras juízas do Reino Unido.

Sabe, a história de Constance é um constante tapa na cara. Muitos de nós temos tantas oportunidades na vida e simplesmente as deixamos ir, seja por relapso, preguiça ou qualquer outra coisa. E ainda nos sentimos no direito de nos queixar. Ver uma menina agredida, humilhada por todos os dias de sua vida, conseguir realizar um sonho quase impossível é surreal. É um banho de empoderamento!

Ler esse livro é um incentivo, nos faz lembrar que não importa quão árduo seja, por pior que a situação se mostre, podemos escavar dos escombros lá no fundo e conseguir o nosso lugar ao Sol. (Momento reflexão)

Hoje Constance conta com 57 anos, tem dois filhos e atua como advogada. Na capa do livro ainda diz que seu marido é membro do Conselho da Rainha.

 

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Após a publicação do livro sua mãe a processou por difamação, mas perdeu o caso quando o júri conheceu a veracidade de sua biografia ante os documentos, fotos das cicatrizes, testemunhos e relatos médicos. A autora descobriu até mesmo que a mãe tentou colocar uma de suas irmãs no canil, ao argumento de que a garota seria um cão. An?

Espero que tenha instigado em vocês a vontade ler esse livro tão forte e marcante.

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Beijos e até a próxima : *

Imagem fonte: https://www.google.com.br/search?q=constance+briscoe&espv=2&biw=1517&bih=735&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjL9vHc_tLPAhVLEpAKHUtLB0UQ_AUIBygC&dpr=0.9#imgrc=wgN9LFx8HAj-WM%3A

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