Resenha: Muito Romântico – Toni Brandão

12 de janeiro de 2017

Hey, lovelies

Editora: Gutenberg

Sinopse: Antônio é estudante de direito do largo de São Francisco. Bonito, rico, inteligente, e apaixonado pela bela atriz Diana Hataway, sua vida seria completa se eles pudessem ficar juntos. Mas ela não quer saber dele. Então, inconsolável, de noite ele ronda a cidade à procura de alívio. Bebida, as belas moças da rua das Flores, raves que duram a noite toda: tudo é válido.

A São Paulo de Antônio é de 1863, com seus 25 mil habitantes, 200 lampiões e 14 chafarizes. Mesmo assim, a realidade dele e de seus amigos, João e Pedro, é mais parecida com a de um estudante da São Paulo do século XXI do que se pode imaginar.

Em busca de emoções, eles frequentam bares, picham muros, e passam a noite em meio a festas, amigos e mulheres. E tem mais! As intrigas para impedir que Antônio consiga reconquistar Diana são várias. Muito melhor que novela das oito!

Como vai o 2017 de vocês? Por aqui tá tudo bem do mesmo jeito. Rs

Hoje começo a saga de resenhar livros que quase ninguém conhece. Não sei porque causa, motivo, razão ou circunstância de eu já ter lido uma leva de obras que nenhum ser humano ouviu falar. Talvez se deva ao fato de a biblioteca da minha escola no ensino médio ter sido peculiar.

De qualquer forma, são livros que gostei, indico e espero que a apresentação a vocês cause os mesmos efeitos que em mim foram causados.

Bem, é necessário dizer que para um autor me fazer reler um livro ele tem que ser dos bons, mas muito dos bons mesmo. Minha preguiça de reler é eterna, porém o Toni Brandão foi um desses.

Pra começo de conversa, de alguma forma ele pintou 1863 com um toque de 2017. É totalmente diferente de todo romance de época que você tenha lido. Tem boate, put*** (ops) prostíbulo, preservativo, rave, travesti assumido, enfim, muita coisa que não tinha no século XIX.

E gente… Ô gente… O Antônio é uma peça! Não dou conta dele.

O cara é louco, fissurado, ensandecido pela tal da Diana Hataway (que, by the way, o nome me lembra o da Anne Hathaway) e ela vive chutando ele. Confesso que já gostei de Antonio pelo simples fato de ser estudante de Direito, mas releva isso aí gente. Em razão da paixão não correspondida ele vive se embebedando para esquecê-la na mesma medida que corre atrás dela. Tipo, muito!

Tratados de morcegos em virtude das capas pretas inseparáveis, ele e seus amigos mais vagabundeiam pela cidade em busca das festas do que estudam propriamente.

A tal da Diana é daquelas divas empoderadas e junto de sua companhia de teatro, QORPO SANTO,  luta contra todas as injustiças da época.

Além dos dois existem outros personagens que chamam a atenção.

Sophia Zaragoza é uma maluca que se apaixona pelo nosso querido amigo Antonio depois que ele aparece morto de bêbado na casa dela. Imagino eu que ele beije bem pra caramba porque depois de um único beijo o mundo dela passa a se resumir obsessivamente nele.

Cansado, o Morcego para. O caixão está forrado de rosas vermelhas. Sophia quer saber o nome dele. O Morcego pensa um pouco, chega mais perto de Sophia, fecha-lhe a boca com um beijo longo e vigoroso e, antes d responder, emenda ao final do beijo uma gargalhada e uma premonição.

– Você vai sofrer para sempre a influência do meu beijo.

Só aí, ele diz como se chama…

– … trate-me de Desatino.

… e sai do casarão com sua tristeza, arrastando pela noite, que cai depressa, o caixão de rosas vermelhas que começam a morrer.

Ah.. Tem o caixão também. Ele o carrega por um bom tempo pra cima e pra baixo.

Mal saberia Antonio que sua premonição o perseguiria até o final do livro, o que dá um toque de mestre no encaixar das peças.

Zabé e a escrava da Sophia. Ela tem uns pressentimentos e é super pra frente. Em resultado disso ela acaba apanhando por algumas vezes. É uma personagem super engraçada.

E para o s apaixonados por clássicos (eu aqui, ó), Muito Romântico é recheado de referências à autores clássicos como Álvares de Azevedo, Casemiro de Abreu, Rousseau, Goethe, Lord Byron e outros. Algumas delas eu já havia lido e outras li em razão depois da obra da qual trato.

Senti bastante realismo na narrativa do autor que parece ser bem coerente com os costumes e a ambientação nos anos 1800. Há uma abundância de detalhes sobre a arquitetura da época, as roupas utilizadas que trazem ao leitor um verdadeiro mergulho naqueles anos.

Vale muito, muito ler essa obra de Toni Brandão. Espero que tenha incutido em vocês a vontade de lê-lo.

Até a próxima, meus lovelies.

Beijinhos =*

Obs: a fotinha é do meu pré-casamento. E sim, eu tirei fotos para meu álbum de casamento com livros porque leitor, né..

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