Resenha: O Mistério dos Cavalos Alados – Megan Sheperd

, Livros

Editora: Plataforma 21

Sinopse: Nosso mundo tem cores. Você só precisa saber onde procurar.

Existem cavalos alados nos espelhos do Hospital Briar Hill – esses espelhos refletem os elegantes quartos que já pertenceram a uma princesa, mas que agora são o lar de crianças doentes. Somente Emmaline pode enxergá-los. Este é o seu segredo.

Certa manhã, a menina escala o muro dos jardins abandonados do hospital e descobre algo incrível: um cavalo branco com a asa quebrada que deixou o mundo dos espelhos e invadiu a realidade.

Esse cavalo branco – uma égua chamada Lume de Luar – está se escondendo de uma força sombria e sinistra: o Corcel Negro. Para Emmaline mantê-lo longe de sua nova amiga, ela precisa rodear Lume de Luar com tesouros de tons brilhantes. Mas como a menina encontrará cor em um mundo tão cinzento?

Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, O mistério dos cavalos alados traz uma prosa que se aproxima do lirismo e, assim como O jardim secreto e A princesinha, já pode ser considerado um clássico. Um livro que será amado por muitas gerações.

 

Ei, leitores lindos!

Não sei se vocês são tão sentimentais quanto eu, mas tenho uma confissão a fazer: neste exato momento em que escrevo essa resenha meu coração tá apertadinho, meio dolorido, sabe.

Tudo isso por causa da Emmaline.

Ela é uma criança que está internada no Hospital Briar Hill em razão da doença que ela própria chama de águas paradas. Desde 0 dia de sua chegada, Emmaline vê cavalos alados em todas as superfícies reflexivas do hospital.

Anna é uma doente em pior estado que é a melhor amiga da personagem principal, e quem empresta a ela lápis de cor para que desenhe seus cavalos.

A vida da Emmaline vai passando normalmente quando um dia Benny, o valentão, rouba seu chocolate. Embravecida, ela corre para além dos limites permitidos pelas freiras, escala um muro e deságua no jardim. Lá ela encontra uma égua alada, a Lume de Luar.

A égua está machucada e ela fica sem entender como ou o porquê de o animal ter ido parar em seu mundo. Mais tarde ela recebe um bilhete do Lorde dos Cavalos que pede ajuda para proteger a égua, que está sendo perseguida pelo Corcel Negro que quer matá-la.

A quem receber esta mensagem,

Preciso desesperadamente de ajuda. Trouxe esta égua ao seu mundo porque está com a asa quebrada, e preciso de um lugar seguro para escondê-la. Sabe, ela está sendo perseguida por uma força sombria e sinistra do nosso mundo, um cavalo preto que caça usando o faro, à luz da lua, e não pode fugir dele voando. Minhas travessias entre os dois mundos são limitadas, e serei eternamente grato se puder cuidar dela até eu conseguir voltar.

Boas cavalgadas,

Lorde dos Cavalos

P.S.: O nome da égua é Lume de Luar. Ela gosta de maçã.

Para isso a Emmaline vai precisar fazer um escudo espectral ao redor do animal com as cores do arco-íris, já que o Corcel Negro ficaria cego pelas cores quando a Lua Cheia chegasse.

Daí em diante nossa menininha começa sua saga de encontrar os objetos. O problema é: o mundo de Emmaline é cinza. Suas roupas, o lugar onde mora, e até mesmo o clima, o inverno, é sem cores.

Pobrezinha dessa criança, há um bom tempo eu não lia um livro que me deixasse com o coração tão em pedacinhos. Eu sou adulta (talvez não. Não sei) e o pior dos meus pesadelos é ficar sem minha família, mas é exatamente assim que Emmaline está.

Ela tem sua amiga, as freiras e os colegas de hospital, mas nenhum deles é sua mãe, seu pai ou Marjorie, sua irmã. Ela tem lembranças e sonhos constantes com eles, cada um uma facada no peito. Sentir como é ser uma pessoa tão nova tendo que enfrentar o mundo sozinha me doeu profundamente.

O Thomas é um monstro porque tem algo a menos.

Eu sou um monstro porque tenho algo a mais. Mágoa demais. Raiva demais.

Não me importo.

Pelo jeito, só os monstros sabem que existem mundos e mais mundos e mais mundos, e o nosso é apenas um deles.

Mas ela é uma exploradora, não desiste. A resiliência da menina em encontrar as cores que precisa mesmo sofrendo tanto com suas águas paradas é tocante. Eu não sei se conseguiria defender uma égua quando eu mesma estou indefesa, mas para ela está fora de questão desistir.

Outra coisa interessante de se ver é como ela pensa em Deus. O hospital é comandado por freiras, então é natural que se fale de Deus e religião. Ela vive se perguntando Jesus está vendo isso, ou Deus a perdoará por aquilo. É tão inocente e puro que me arrancou risadas.

Que Deus a verá, não tenho dúvidas. Mas também estou certo de que Deus enxergará as razões do seu coração.

Eu ficava pensando: tem que melhorar, tem que melhorar. Mas aí vinha escritora e dava uma portada na minha cara. Torci demais pra dar tudo certo, Emmaline ser curada, porém em alguns momentos só dá pra ver piora.

Em que pese isso, a história evolui muito bem, não é parada e se você se esforçar vai ler o livro em uma dia sem dificuldades.

Eu esperava que fosse mais poético, e nem sei porque, já que não sou poética. A escrita é bem direta.

Nas partes finais detalhes sobre a vida da menininha antes de ir ao hospital são trazidos à tona. Quando as peças se encaixaram foi como se eu tivesse sido atingida no tórax por um objeto em movimento, fiquei muito sem ar. Porém algo lindíssimo acontece e te tira do chão de outra forma, uma forma feliz.

Espero que decidam conhecer Emmaline e seus cavalos alados para viver essa viagem emocional.

Beijinhos e até a próxima, meus lovelies =*

Às vezes, quando uma pessoa especial do seu mundo morre prematuramente, essa pessoa apenas cruza a fronteira e se torna um dos meus cavalos, flanando pelo céu com asas emplumadas.

 

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