Resenha: Quebra de Confiança – Harlan Coben

29 de setembro de 2016

Hi, lovelies.

Já de começo necessito dizer que o Harlan Coben é tipo de amigo que falta na minha vida. O cara tem um glândula de secreção de sarcasmo no cérebro, e não tem medo de usá-la. E as descrições dele sobre as coisas, lugares, pessoas? Simplesmente impagável!

É bom dizer que o sarcasmo é nesse livro. Já li Não Conte a Ninguém do Harlan há uns dois anos e não me lembro se tem o mesmo tom do livro em comento. Mas nesse aqui, meu amigo, tem toneladas e toneladas de sarcasmo. E eu amo!

Não vou dizer a vocês que Quebra de Confiança tenha sido o melhor livro que já li. Não, não é. Ainda mais se comparado com os deuses olimpianos do romance policial: Agatha Christie e Arthur Conan Doyle. O livro não tem um ritmo eletrizante, mas pouco a pouco a leitura vai te envolvendo e quando você percebe, já se perdeu na trama.

Pra quem não conhece o mestre, aí ele está.

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Bora lá pra resenha.

Myron Bolitar é um atleta frustrado, advogado, ex-FBI e atualmente empresário esportivo que se vê envolvido no mistério do sumiço de sua ex-cunhada e o assassinato de seu ex sogro (um monte de ex), que ocorreram no prazo de pouco mais de um ano um do outro.

Tudo começa quando o noivo de Kathy Culver, a desaparecida, recebe pelo correio uma revista pornográfica com uma foto nua dela e estranhas ligações telefônicas. Tudo isso é enviado a ele mais de um ano depois do desaparecimento. Christian, o noivo, pede ajuda a Myron, que é seu atual empresário, para resolver mistério.

Abalando psicologicamente as estruturas do investigador, sua ex-namorada e irmã da desaparecida chega na cidade inconformada com a tese de que o pai dela tenha sido assassinado em uma tentativa de roubo. E como é de se imaginar, tudo deságua em Myron.

O foco do livro é em nele, mas existem alguns personagens secundários como Win, Jessica e Esperanza que são bem trabalhados e dão à estória um brilho à mais.

Win é o melhor amigo lindo, sócio, excêntrico, anti-herói e meio psicopata; Esperanza é a secretária de Myron; e Jessica, como já dito acima, é sua ex-namorada linda e escritora. Já deu pra perceber que todo mundo é lindo aí.

Gente, sobre o Myron. O que dizer do Myron que mal conheço, mas que considero pakas? Harlan conseguiu fazer o personagem masculino mais sarcástico e sensível ao mesmo tempo. Dá pra sentir que o amor dele pela Jéssica é algo tão mal resolvido, que ele ficou sentido, sabe. Dolorido deve ser a palavra mais correta. É lindo de ver, porque geralmente os livros que contém romance são escritos por mulheres (ó eu sendo sexista) e perceber como é um cara apaixonado pelos olhos de um homem é bem interessante.

Quase dá pra ouvir o coitado cantando: “Please, have mercy on me.”

E digo que mal o conheço porque esse é somente o primeiro livro de uma série de dez. Eu consegui fazer a façanha de comprar o primeiro e o último sem saber. Então, quando eu conseguir os outros oito livros, com certeza estarão aqui no blog (ouviu, editora arqueiro? Rs)

Mesmo o livro não sendo aquele que te pega na primeira folha, não é de desistir. Na verdade, pouco após o início as pontas soltas já começam a aparecer e aquele instinto de Sherlock que todos temos já faz o seu chamado e aí não conseguimos largar mais.

Acho que a maioria vai ter uma noção de quem seria o assassino do meio pro fim da estória.

Ah, é válido lembrar que em várias partes as personagens usam falas de livros, filmes, musicais e peças famosas, como Shakespeare e os Miseráveis. E se quer ganhar meu coração literário, citou Shakespeare ou Victor Hugo, já é seu! Rs

Vou deixar aqui umas passagens que gostei/achei engraçadas ou sarcásticas:

“Myron murmurou:
– Eles não sabem que estão fazendo amor com uma pessoa já morta?
Esperanza parou, pensando.
– Essa eu não conheço.
– Fontine, em Os Miseráveis. O musical.
– Não posso pagar para ir em musicais da Brodway. Meu chefe é pão-duro.
– Porém bonito.”

“Myron já esperava por aquela encenação de policial malvado e policial bonzinho. Na verdade, esperava coisa até pior. Lary Hanson ainda não havia feito nenhum comentário sobre a vida sexual sobre a mãe de ninguém.”

“Você não quer perder dinheiro, Myron.
Myron o encarou.
– Não?
– Não, não quer.
– Posso anotar isso?
Ele pegou o lápis e começou a escrever.
– Não… quero… perder… dinheiro.
Em seguida sorriu para os dois.
– Estou aprendendo muito hoje, não é?”

Então, lovelies, vou parar por aqui antes de escrever o livro todo.

Até a próxima resenha.

Beijinhos = *

8 Comentários

  • Gente, que vc era leitora eu sabia agora que escrevia tão bem é novidade! Amei a resenha, e seu jeito de escrever envolve o leitor! Parabéns! Quero ler mais resenha s!! Ja vou sair procurando pelo blog as outras rss

    • Oh Bianca, muito obrigada = ) Tô felizona com o comentário rsrsrsrsrs Tem mais uma que de um livro que chama O Pagador de Promessas, porque tem pouco tempo que comecei a escrever pro blog.
      Eu vou tentar postar toda semana. Sempre que lembrar e quiser, pode passar aqui rs
      Bjus

  • Em questão de gênero policial, nada superaria, para mim, Conan Doyle e o imortal Sherlock. No entanto, acho muito atrativo os gêneros policiais contemporâneos e talvez um dia eu compre essa edição(fora que essa pegada de Dr.House do Myron já me fisgou, então…)
    Parabéns pela resenha, e se ficar famosa e rica não se esqueça dos amigos(ahem… Eu… EU AQUI Ó… Ahamm…)

  • Parabéns pelo excelente texto viu…tem a manha.bjos

  • Está de parabéns, ótima escrita, detalhada, ao mesmo tempo dinâmico seguindo a estrutura de uma resenha dando uma visão geral sobre o livro sem dar spoieler’s, ou contar o final, um texto que não cansa o leitor, pelo contrário, faz com ele fica faminto por mais, parabéns prima, você tem aquilo que chamamos de DOM!