Vamos interpretar?

7 de setembro de 2016

Inicie a leitura de mente aberta, caso contrário irá ler apenas aquilo que o seu cérebro “QUER”. Isso mesmo, vivemos em uma era que lemos pelo simples fator de ler e não interpretamos ao menos uma virgula, o que no final resulta em “adorei o livro”, ou, “odiei” e o leitor se prende a massa dos analfabetos funcionais.

“Conforme dados de 2005 do IBOPE , no Brasil o analfabetismo funcional atinge cerca de 68% da população (30% no nível 1 e 38% no nível 2). Somados esses 68% de analfabetos funcionais com os 7% da população que é totalmente analfabeta, resulta que 75% da população não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou seja, apenas 1 de cada 4 brasileiros (25% da população) é plenamente alfabetizado, isto é, está no nível 3 de alfabetização funcional. ”

Analfabetos por que não são capazes de interpretar ou compreender algo lido, já que o alfabetismo engloba a capacidade de escrever, ler e interpretar textos. Acredito fielmente que os jovens se perderam na famosa ordem que vivemos atualmente, a do tudo sei e tudo posso. Mas esquecem que para se tornarem sábios leitores necessitam de base argumentativa e para atingirem tal nível intelectual é necessário interpretar tudo aquilo que se lê e compreender. Assim voltamos ao início, porque se leio e não compreendo, acredito que estou certa com base rasa e logo minha mente se fecha.

Mas tenho base para afirmar isso? Não sei. Posso ser apenas mais uma jovem que se enquadra a sociedade de leitor analfabeto, com uma capacidade de interpretação limitada aquilo que me foi ensinado na escola, porém venho aqui desabafar sobre algo que venho acompanhando diariamente e quem sabe gerar uma base de debate que venha agregar em nossas vidas.

Leio em média 130 páginas/dia e sou totalmente leiga quando se trata de resenhas ou críticas, não me considero adequada para classificar a estrutura, enredo ou até mesmo a diagramação de um livro. No final do ano, tenho uma lista com 230 livros lidos e garanto a vocês que essa quantidade não passa de status para embelezar minhas conquistas do ano. De fato, li por ler, li por fazer parte de um grupo de leitores e as indicações de livros em conversas banais me atrai e acabo gastando horas com leituras que não desafiam meu intelecto.

Não estou dizendo que é errado ler amenidades, é até legal. Mas cadê os leitores que leem os clássicos filosóficos? Os leitores que debatem com o livro como se o autor estivesse em sua frente? Também podemos debater sobre a leitura de O Extraordinário, O Último Adeus ou então sobre 50 tons de cinza. O que estou querendo dizer é que está extinto o tipo de leitor questionador. Está extinto porque o brasileiro esqueceu de interpretar.

Temos um grupo no WhatsApp que se chama leitura coletiva e o principal objetivo é gerar lindos debates sobre o livro que lemos em conjunto. Mas não tem mais debate. Se acabou! Diariamente se vê conversas sobre como o livro é legal ou chato, como aquele personagem é maléfico ou sofre de uma inocência chata, mas não se vê discussão sobre a mensagem transmitida pelo livro, sobre o tema abordado. Um ou outro diz que gostou do tema, mas o assunto acaba sucumbindo e não é mais lembrando.

E porque isso? Por que ninguém interpreta, não entende nada e apenas opina superficialmente.  Quero poder discutir diversos pontos de vistas, quero saber sua opinião do mesmo livro que eu li e quero saber se entendeu e sentiu o mesmo que eu. Quero aprender com outras pessoas, quero ouvir pessoas discutindo a escrita da Maya Banks, ou então a diferença do erótico de Sylvia Day com Megan Maxwell. Quero acompanhar diversas interpretações de Bukoswski ou críticas do livro Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão de Arthur Schopenhauer (uma boa indicação).

A temática em questão é a crise da leitura, pois sabemos que a leitura é o principal caminho para adquirir conhecimento, que por acaso só é concedido através de interpretações profundas. Indico que vocês leiam “Brasileiros tem que entender que estudar não é chato, chato é ser burro.”

Meus caros, ler está além de juntar letras e decodificar uma palavra, é necessário compreender tal palavra descrita e repito, eis aqui um singelo desabafo que não julga o intelecto de ninguém em questão, a não ser o meu próprio.

Ate a próxima.